Às vésperas de se encerrar, as avaliações dos governos começam a aparecer. Há quem tenha deixado marcas, como Luiz Henrique da Silveira. Prometeu asfaltar os acessos de todos os municípios catarinenses e cumpriu: deixou sua marca na infraestrutura. Raimundo Colombo construiu 11 hospitais (à época, o maior número construído no Brasil) e se consolidou como o governador que elevou o patamar da saúde pública do Estado. Moisés surfou na onda bolsonarista e foi engolido por ela.
Mas e Jorginho Mello, qual é o seu legado? Universidade Gratuita? Não. Sustenta-se como peça de marketing. Nada é gratuito. Como a imprensa tem muita boa vontade com o governador, se não há legado, resta chamá-lo de “o governador mais municipalista da história”.
É nesse contexto que Lages pode se tornar um retrato fiel desse modelo.
Há mais de um ano, o governador de Santa Catarina esteve em Lages para anunciar a intenção do Estado de viabilizar, por meio de parceria público-privada, a concessão de parte da Serra do Rio do Rastro para a implantação de um complexo turístico.
Com um orçamento de 1,2 bi/ano, Lages, em tese, com uma gestão eficiente do orçamento público, teria condições de bancar este e outros projetos. Entretanto, em 2025, o município elevou o gasto com folha salarial em mais de 20%, saltando de 470 para 565 milhões. Para 2026, a expectativa é superar a casa de 600 milhões.
Com gasto desenfreado e piora nos serviços, a prefeitura hoje não dispõe de recursos para a contrapartida necessária à estruturação de uma parceria público-privada. Estamos mais próximos de um colapso financeiro a médio prazo do que de qualquer perspectiva concreta de investimento.
Contudo, prestes a encerrar o mandato, Jorginho Mello se concentra na pré-campanha à reeleição. Na Serra, a prefeita de Lages já tratou de levantar os palanques para o governador e de se tornar, junto com a imprensa local, porta-voz do maior anunciador de promessas da história de Santa Catarina.

