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É muito comum ouvirmos e vermos as frases: Jorginho Mello é o melhor governador da história de Santa Catarina; Jorginho Mello é o melhor governador do Brasil. Porém, não é preciso uma pesquisa aprofundada para concluir que, se os critérios forem infraestrutura, saúde e educação, há uma diferença abissal entre as entregas do governo e a percepção do eleitor.
Houve queda na avaliação do IDEB em relação ao governo Moisés. A relação conturbada entre governo e professores, ancorada em narrativas ideológicas, refletiu diretamente na qualidade do ensino. Tanto que o governo precisou reformular a metodologia de avaliação para maquiar o retrocesso da sua gestão.
Em Lages, a situação é de completo abandono por parte do governo do Estado. As duas únicas obras foram dois ginásios de esportes, ainda projetos do governo Moisés. A revitalização da mais emblemática avenida da cidade, a Carahá, poderia ter sido a única obra do governador para o município, não fosse a decisão da prefeita Carmen Zanotto de remanejar os recursos deste projeto para pavimentar ruas no entorno de empresas.
A dissonância cognitiva entre ideologia e entrega de governo é um fenômeno recorrente entre catarinenses e se manifesta de forma evidente na atuação dos vereadores de Lages. Nixon e Castor (PL), por algumas vezes, ocuparam a tribuna da Câmara para exaltar os investimentos do governo do Estado na cidade. Entretanto, há uma enorme dificuldade em citar quais projetos recebem recursos e qual é o volume de obras com a marca de Jorginho Mello em Lages. O vereador SGT Pacheco, em suas falas, afirma que nunca viu tantos recursos estaduais destinados ao município, cerca de 50 milhões em três anos.
Contudo, o fato é que o governador Jorginho Mello fala, e fala muito. Passa boa parte do seu mandato produzindo vídeos. Não perde uma oportunidade de ideologizar tudo, e isso basta para ser considerado o melhor governador da história de Santa Catarina, principalmente para o típico eleitor de classe média, o mais passional entre as divisões econômicas.
A hora da verdade está chegando: a campanha eleitoral. Tudo o que se sabe até agora é que o governador foi orientado a não participar dos debates. A estratégia para manter a superficialidade de um discurso ensaiado será evitar o embate com quem já tem a verdade na ponta da língua.

