O pré-candidato à presidência Renan Santos, representante do partido MISSÃO, cumpriu uma intensa agenda na cidade de Lages, Santa Catarina, como parte de seu tour nacional. A visita faz parte de uma estratégia que visa percorrer o que ele denomina “Brasil dos contrastes”, abordando as profundas desigualdades sociais, políticas e econômicas do país. Simultaneamente, Santos destaca e valoriza experiências locais de desenvolvimento e organização que, em sua visão, coexistem e oferecem soluções para as dificuldades enfrentadas. Em suas falas, o político atribui as distorções observadas no cenário nacional tanto ao modelo de governança que se consolidou durante as gestões petistas quanto à recente intensificação da polarização política.

Renan Santos direciona seu discurso para o que percebe ser o eleitorado moderado e, de forma particular, o público jovem, que busca alternativas ao atual quadro político. Ele busca demonstrar como o maniqueísmo e a polarização ideológica têm atrasado o progresso do Brasil, criticando veementemente o que ele próprio classifica como “bolsopetismo”, uma estética considerada “cringe” para as novas gerações. Sua retórica visa romper com a dualidade imposta, apresentando-se como uma voz dissonante em um cenário político muitas vezes binário.

Contudo, a persona pública de Renan Santos gera discussões. Embora seu conteúdo se aproxime de uma parcela significativa dos eleitores de centro-direita que anseiam por mudanças, sua postura e falas, por vezes excessivamente agressivas, são vistas por analistas como espelho da mesma polarização que ele critica. Essa abordagem, que o coloca em rota de colisão permanente, pode afastar o eleitorado que busca equilíbrio e moderação. No entanto, fontes ligadas ao MISSÃO sugerem que essa estética é parte de uma estratégia cuidadosamente calculada, não necessariamente para torná-lo um candidato imediatamente competitivo, mas para organizar e escalar um novo bloco político no cenário contemporâneo, entendendo que o discurso pode ser atemporal, enquanto a forma de comunicação pode ser adaptada ao longo do tempo, como observado em outras trajetórias políticas.

Durante a visita a Lages, a comitiva de Renan Santos, que incluía políticos e ativistas de diversas regiões do estado, promoveu debates sobre modelos de gestão e desenvolvimento local. Um dos pontos centrais da discussão foi o modelo de enfrentamento adotado em Chapecó para questões sociais, como a situação das pessoas em rua, o qual foi elogiado pelo vereador Mateus Batista, de Joinville, como uma referência nacional. Batista afirmou ser responsável por levar e implementar essa iniciativa em Joinville, vislumbrando um caminho similar ao sucesso de Chapecó. Em contraste, foi criticada a postura da prefeitura e vereadores de Lages que, segundo o pré-candidato e sua equipe, criticam o modelo sem apresentar alternativas viáveis, ignorando iniciativas que poderiam formar a base da economia de muitos municípios pequenos do Sul do país e que seriam estratégicas para a autossuficiência de cidades em regiões como o Nordeste.